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Notícias
16/10/2006
Internautas produzem cada vez mais seu próprio conteúdo
Fonte: http://tecnologia.terra.com.br | Leituras: 417
Videoclipes, filmes amadores, shows. Os usuários da Internet são cada vez mais os fornecedores de conteúdo de sites comunitários, espaços que pretendem fazer concorrência com os gigantes da TV a cabo.
O desafio ficou claro no recente Mercado Internacional de Programas Televisivos (MIPCOM) de Cannes (França), com a nova geração de meios que prosperam na rede e ameaçam mudar a cara da televisão.
Com 110 milhões de membros, o maior site de relacionamentos da Internet, o MySpace, anunciou a intenção de entrar na televisão após criar um espaço que reúne os internautas em torno de interesses comuns ou paixões que podem partilhar com seus amigos.
"Começamos com a música, a próxima etapa será o filme e a televisão faz parte da paisagem", explicou David Fischer, que dirige o MySpace na Europa, durante conferência celebrada em Cannes.
Outro motivo de inquietação para as televisões tradicionais: os usuários do MySpace não são apenas estudantes do ensino médio. Um terço deles já fez 30 anos, inclusive fora dos Estados Unidos. O MySpace não é o único recém-chegado que quer parte do tesouro. A AOL reforçou seu conteúdo televisivo no ano passado, especialmente o destinado às crianças. E o Google ocupou as manchetes na semana passada com a compra do site de vídeo YouTube.
As novas companhias pensam que podem fazer uma entrada triunfal no mundo da TV sem precisar se aliar com uma rede importante. Nenhuma companhia de televisão progrediu nestes quatro ou cinco últimos anos, diz Simon Assad, co-fundador e diretor-geral da companhia Heavy, que conquistou uma sólida clientela masculina com sua página Heavy.com e seus vídeos sexy.
Certas emissoras americanas de peso como NBC Universal ou ABC abrem espaço para as novas tendências - a NBC com sua rede iVillage destinada às mulheres e a ABC com seu espaço ABC -, explica Simon Assad. Os que não se adaptarem às mudanças terão problemas. As pessoas querem poder se expressar e às vezes criar sozinhas seu entretenimento, destacaram analistas presentes no MIPCOM.
"O conteúdo gerado pelos usuários é uma oportunidade de ter uma relação verdadeira com o público, ao contrário das televisões tradicionais, onde os diretores decidem", disse Assad à AFP. "A Internet é um fórum magnífico para aqueles que querem expressar seus sentimentos e paixões", acrescentou. "Mas o conteúdo deve estar à altura. Tanto se o fabricarmos nós quanto se quem o faz é o usuário", avaliou Mark Goldman, que dirige a emissora e a página web Current, criadas pelo ex-vice-presidente americano Al Gore.
Por enquanto, só uma pequena parte do conteúdo se destaca. E alguns produtores cobram, embora sejam valores modestos. Patrick Walker, do Google, disse que sua empresa vai permitir que novos músicos no mercado, sem contrato, vendam suas músicas diretamente e fixem o preço.
A pirataria nos sites compartilhados na rede, inclusive MySpace e YouTube, continua sendo uma grande dor de cabeça para as companhias de cinema, televisão e música. Mas todos os atores tentam minimizar o problema ou pelo menos mudar seus termos.
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